“Paz na Ucrânia e a segurança da Europa não podem ser separadas”

“Não haverá negociações credíveis e bem-sucedidas, nem paz duradoura sem a Ucrânia e sem a União Europeia”, afirmou o Presidente do Conselho Europeu, na Conferência de Segurança de Munique 2025. A União Europeia continuará a dar apoio à Ucrânia.

“Paz na Ucrânia e a segurança da Europa não podem ser separadas”
“Paz na Ucrânia e a segurança da Europa não podem ser separadas”. Foto: © UE

O presidente do Conselho Europeu, António Costa, no discurso na Conferência de Segurança de Munique 2025, na Alemanha, começou por dizer que no dia 24 de fevereiro de 2022, após uma reunião com o Presidente da Ucrânia, Volodymyr Zelensky, na sequência do início da invasão da Ucrânia por tanques russos “foi o momento em que uma nova União Europeia geopolítica nasceu”.

Agora, “três anos depois, a Ucrânia resiste heroicamente, Putin falhou na tentativa de dominar a Ucrânia” e “o presidente Zelensky está mais forte do que nunca.” António Costa afirmou: “ Continuaremos a apoiar a Ucrânia como parte integrante do nosso projeto de paz.”

Em face dos diversos anúncios de início de negociações por parte do Presidente dos EUA, Donald Trump, que deu a conhecer ter falado com o Presidente da Rússia, Putin, e com o Presidente da Ucrânia, António Costa afirmou que “somente a Ucrânia pode definir quando há condições para negociações” e “assumir concessões antes de qualquer negociação é um erro enorme. Portanto, continuaremos ombro a ombro com a Ucrânia: nas negociações, fornecendo garantias de segurança, na reconstrução e como futuro membro da União Europeia.” Uma posição que António Costa considera ser partilhada pela UE e pela Ucrânia.

O Presidente do Conselho Europeu esclareceu que uma paz abrangente, justa e duradoura, “significa que a paz na Ucrânia e a segurança da Europa não podem ser separadas. Significa que levamos em conta que a ameaça russa vai além da Ucrânia.”

E António Costa explanou considerações como: “A Rússia domina a Bielorrússia. A Rússia tem uma presença militar na Moldávia e na Geórgia. A Rússia lança uma sombra sobre os Estados Bálticos, a fronteira oriental da União Europeia, os nossos sistemas democráticos, as nossas infraestruturas críticas”, e por isso indicou: “Uma paz abrangente não pode ser um simples cessar-fogo. Não pode dar à Rússia a oportunidade de atacar novamente. Não pode recompensar o agressor. Deve garantir que a Rússia não será mais uma ameaça à Ucrânia, à Europa, aos seus vizinhos, que a Rússia deixe de ser uma ameaça à segurança internacional.”

“Não haverá negociações credíveis e bem-sucedidas, nem paz duradoura sem a Ucrânia e sem a União Europeia”, afirmou António Costa.

Numa guerra com palco na Ucrânia, a União Europeia, depois de fevereiro de 2022, fez progressos significativos que António Costa descreveu: “Primeiro, aceleramos a ampliação para os Balcãs Ocidentais e abrimos negociações com a Ucrânia e a Moldávia. Segundo, decidimos fortalecer nossa segurança energética ao desvincularmo-nos da Rússia, num enorme esforço coletivo, em particular aqui na Alemanha sob a liderança de Olaf Scholz. Terceiro, menos de um mês após o início da guerra, em Versalhes, todos os Estados-Membros decidiram efetivamente entregar a construção da Europa da defesa.”

“Os nossos gastos com defesa aumentaram 30% desde 2021. Os países da União Europeia que estão na OTAN agora gastam, em média, 2% em defesa. Juntos, atingimos a meta. Mas faremos mais. A União Europeia é um projeto de paz por design. Mas sabemos que a paz sem defesa é uma ilusão”. Assim, é considerada “a mobilização de mais financiamento público e privado” e fortalecimento de parcerias, “nomeadamente com o Reino Unido e a OTAN”.