Gaza pode levar várias décadas a restaurar: infraestrutura de água e saneamento são prioritárias

Gaza pode levar várias décadas a restaurar: infraestrutura de água e saneamento são prioritárias
Gaza pode levar várias décadas a restaurar: infraestrutura de água e saneamento são prioritárias. Foto: © OMS

O Escritório das Nações Unidos para a Coordenação de Assuntos Humanitários no Território Palestiniano Ocupado indica uma estimativa que mais de 376.000 pessoas tenham regressado aos seus locais de origem no norte de Gaza, após a retirada das forças israelitas das duas principais estradas ao longo do corredor Netzarim.

Um aumento nos bens de ajuda e melhores condições de acesso permitiram que parceiros humanitários expandissem significativamente a entrega de assistência e serviços vitais em toda a Faixa de Gaza, inclusive em áreas que antes eram impossíveis de aceder.

Avaliações no local revelam níveis massivos de destruição da infraestrutura de água e saneamento, particularmente no norte de Gaza, o que releva a necessidade crítica de intensificar os esforços de reabilitação e reparação para dar resposta às necessidades humanas básicas.

Num rápida visão do tereno mostra uma devastação da construção como mais de 50 milhões de toneladas de betão e ferro em Gaza. A ONU estima que podem levar até 20 anos para serem removidos.

Em 25 de janeiro, o Comité Internacional da Cruz Vermelha (CICV) facilitou as segundas operações de libertação sob a primeira fase de 42 dias do acordo de cessar-fogo entre Israel e grupos armados palestinianos em Gaza, que entrou em vigor em 19 de janeiro.

Quatro reféns israelitas foram transferidos de Gaza para autoridades israelitas e 200 detidos palestinianos foram libertados de prisões israelitas. Incluindo 128 detidos palestinianos libertados para a Cisjordânia, Jerusalém Oriental e Faixa de Gaza, e 72 detidos libertados para o Egito.

Hoje, 28 de janeiro, estima-se que 90 israelitas e estrangeiros permaneçam reféns em Gaza, incluindo reféns que foram declarados mortos e em que os corpos permanecem em Gaza.

Dados fornecidos pelo Serviço Prisional de Israel (IPS) à Hamoked, uma ONG israelitas de direitos humanos, havia, em janeiro de 2025, 10.221 palestinianos detidos em prisões israelitas, incluindo 2.025 prisioneiros condenados, 2.934 detidos em prisão preventiva, 3.376 detidos administrativos mantidos sem julgamento e 1.886 pessoas mantidas como “combatentes ilegais”. Nestes números não estão os palestinianos de Gaza que foram detidos pelos militares israelitas desde 7 de outubro de 2023 até agora.

Os últimos dados do Ministério da Saúde em Gaza indicam que entre as tardes de 22 e 28 de janeiro de 2025, foram mortos 193 palestinianos e 397 ficaram feridos. Isso inclui 171 corpos recuperados na Faixa de Gaza. Desde que o cessar-fogo entrou em vigor em 19 de janeiro, e até 28 de janeiro, foram recuperados 354 corpos de palestinianos, de áreas que antes eram inacessíveis. Um último balanço indica que entre 7 de outubro de 2023 e 28 de janeiro de 2025, pelo menos 47.354 palestinianos foram mortos e 111.563 ficaram feridos.